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Pesquisa

23/08/2019

Produto desenvolvido na UFV obtém licença para comercialização

Um produto resultante de pesquisas realizadas no Laboratório de Parasitologia Veterinária da UFV obteve do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) uma licença para comercialização, o que deverá acontecer ainda este ano.

A boa e inédita notícia para o Departamento de Veterinária chegou em julho e diz respeito ao Bioverm, desenvolvido pelo professor Jackson Victor de Araújo - coordenador do Laboratório de Parasitologia – com a participação da ex-doutoranda Rafaela Carolina Lopes Assis Luns, em parceria com a empresa paulista Ghenvet Saúde Animal Ltda.

O produto contém clamidósporos de Duddingtonia flagrans (uma variedade natural de fungo isolado do ambiente) e é indicado para a prevenção de helmintíases gastrointestinais parasitárias em ovinos, caprinos e bovinos. Diferentemente de outros disponíveis no mercado, ele previne as parasitoses controlando as larvas e ovos de helmintos ou vermes no meio ambiente e não no animal diretamente. O Bioverm é fornecido na alimentação do animal que, por sua vez, ao defecar os clamidósporos, crescem e eliminam os ovos e larvas existentes nas fezes. Trata-se de um produto inédito, segundo o professor Jackson, que há 30 anos tem como linha de pesquisa a medicina veterinária preventiva, atuando, dentre outras áreas, nos controles biológico e químico. Seus estudos o firmaram como professor titular da UFV e pesquisador 1A do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Vale destacar que as parasitoses ocupam lugar de destaque entre os fatores que interferem no desenvolvimento pleno da atividade pecuária. Em geral, os prejuízos estão relacionados ao retardo na produção, custos com tratamentos profilático e curativo e, em casos extremos, à morte dos animais. A falta de informações sobre as helmintíases gastrointestinais parasitárias pode fazer com que os anti-helmínticos, popularmente conhecidos como vermífugos, sejam utilizados de forma inadequada durante o tratamento. As consequências disso vão do rápido desenvolvimento de resistência ao medicamento até o aumento de casos clínicos e perdas produtivas.

Por utilizar controladores biológicos, o Bioverm abre novas perspectivas para a saúde e segurança de ovinos, caprinos e bovinos, e, consequentemente, para a produção de alimentos mais saudáveis, já que o produto possibilita, por exemplo, a eliminação de vermifugações desnecessárias. Além da realização como pesquisador, a licença do Ministério da Agricultura traz para o professor Jackson “um sentimento de vitória”. Isso porque, em sua avaliação, “é muito difícil originar produtos provenientes de uma instituição pública, gratuita e sem fins lucrativos, e com tanta burocracia envolvida para esta finalidade. O Bioverm demorou 10 anos para obter o registro do Mapa".

A década de espera é também o tempo da parceria firmada entre o Laboratório de Parasitologia e a empresa Ghenvet, que se deu pela transferência de tecnologia por meio da Comissão Permanente de Propriedade Intelectual (CPPI) da UFV. Embora o professor acredite que a parceria público-privada seja o caminho para o desenvolvimento da ciência, ele ressalta que a morosidade em originar um produto e tramitar nos órgãos públicos para a sua autorização é desestimulante. E isso ocorre, em sua opinião, tanto para o empresário quanto para as instituições de pesquisa, como a UFV, que, ao gerarem produtos, têm que contar com as liberações do Mapa, Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi), Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e de outros órgãos, dependendo do caso.

Nas fotos, um registro dos técnicos do Laboratório de Parasitologia Veterinária Aloizio Carlos da Silva e Samuel Galvão de Freitas com o professor Jackson, e dos fungos utilizados para a preparação do Bioverm.

Fonte e imagem: UFV